Desenvolvimento Sustentável e Insolvência: Um Estudo de Empresas Brasileiras

Luis Fernando Salles Moraes, Luiz Carlos Jacob Perera, Marco Antonio Figueire do Milani Filho, Roberto Borges Kerr

Resumo


Os investidores tornaram-se mais críticos e conscientes na análise de longo prazo. Nesse contexto, discute-se o conceito de empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável. Foi comparada a probabilidade de insolvência das empresas que compõem o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) com a probabilidade de insolvência das demais empresas da BM&FBOVESPA. A metodologia empregada foi qualitativa e quantitativa. O método de análise foi a regressão logística e a amostra foi composta de 585 observações, no período de 2006 and 2011. A partir dos resultados encontrados fez-se, inicialmente, uma análise qualitativa por setores e, na sequência, as empresas foram comparadas dentro dos setores por intermédio de um teste de médias. Dessa forma, esta pesquisa inovou ao comparar a inadimplência não somente das empresas, mas também dos diversos setores componentes da BM&FBOVESPA. A pesquisa também inovou ao considerar o evento de default como uma barreira: era preciso que as empresas apresentassem valor positivo do patrimônio líquido (Merton, 1974); empresas com patrimônio líquido negativo foram consideradas insolventes. Os principais resultados confirmaram que as empresas participantes do ISE têm menor probabilidade de default quando comparadas com suas correspondentes setoriais, tanto isoladamente quanto em conjunto. A pesquisa sugere que empresas comprometidas com as melhores práticas de desenvolvimento sustentável têm menor probabilidade de insolvência.


Palavras-chave


Desenvolvimento Sustentável, Dow Jones Sustainability Index (DJSI), Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), Probabilidade de Insolvência, Insolvência do Setor.

Referências


Agenda 21 (1992). Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21. Acesso em: 14 nov. 2014

Aquegawa, H. P., & Souza, E. S. (2010). Sustentabilidade financeira a partir dos índices de liquidez e ciclo financeiro: uma anál setorial do portfólio ISE frente à crise de 2008. In Anais do Congresso USP de Controladoria e Contabilidade, São Paulo.

Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). (2012). Pacto nacional da indústria química. Disponível em: www.abiquim.org.br/pacto/introducao.asp. Acesso em: 12 jun. 2012.

Bolsa de Valores, Mercadorias & Futuros de São Paulo (BM&FBOVESPA). (2012). O que é sustentabilidade. Disponível em: http://www.bmfboves pa.com.br/novo-valor/pt-br/o-que-e.asp. Acesso em: 10 nov. 2012.

Brito, G. A. S., & Assaf Neto, A. (2008). Modelo de classificação de risco de crédito de empresas. Revista Contabilidade e Finanças, 46 (19), 8-29.

Brundtland, Gro H. (1987). Report of the World Commission on Environment and Development: Our Common Future. ONU, Oslo. 300 p.

Byus, K., Deis, D., & Ouyang, B. (2010). Doing well by doing good: corporate social responsibility and profitability. SAM Advanced Management Journal, 1 (75), 44-55.

César, J. F., & Silva, A. Jr. da. (2008) A relação entre a responsabilidade social e ambiental com o desempenho financeiro: um estudo empírico na Bovespa no período de 1999 a 2006. In Anais do Congresso ANPCONT. Salvador. Disponível em: http://www.anpcont.com.br/site/docs/congressoII/02/CUE327.pdf. Acesso em: 10 abr. 2011.

Costa, F. J. M. (2007). Sustentabilidade e desempenho financeiro: uma análise do mercado brasileiro de ações (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal da Bahia, Salvador. Disponível em: http:/www.adm.ufba.br. Acesso em: 16 mar. 2011.

Dias, E. A. (2007). Índice de sustentabilidade empresarial e retorno ao acionista: um estudo de evento (Dissertação de Mestrado). Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo.

DJSI & RobecoSam. (2014). Índices em colaboração com RobesoSam.

Dow Jones Sustainability™. Disponível em: http://www.sustainability-indices.com/sustainability-assessment/corporate-sustainability.jsp. Acesso em: 23 mar. 2014.

Dow Jones Sustainability™ Indices (DJSI). (2014). Disponível em: http://www.djindexes.com/sustainability/. Acesso em: 24 mar. 2014.

Elkington J. (1994). Towards the sustainable corporation: win-win-win business strategies for sustainable development. California Management Review, 2 (36), 90-100.

Elkington, J. (2004). Enter the triple bottom line. Disponível em: http://johnelkington.com/TBL-elkington-chapter.pdf. Acesso em: 12 set. 2009.

Equator Principles (2013). Disponível em: http://www.equator-principles.com/index.php/ep3. Acesso em: 29 mar. 2014.

Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). (2014). Disponível em: http://www.bmfbovespa.com.br/indices/ResumoIndice.aspx?Indice=ISE&Opcao=0&idioma=pt-br. Acesso em: 29 mar. 2014.

Instituto Aço Brasil (2012). Disponível em: http://www.acobrasil.org.br/index.asp; Acesso em: 07 nov. 2014.

Johnson, P. (2011). The financial stability of sustainable organizations. Journal of business and economics research, 10 (9), 65-74.

Karlsson, J., & Chakarova, Y. (2007). Does corporate social responsibility pay off? A event study of the impact of corporate entry and exit from the Dow Jones Sustainability World Index on the market value of a company (Monografia). Universidade de Goteborgs, Gothenburg, Suécia.

Laville, É. (2009). L’enterprise verte. 3a ed. Paris: Pearson.

Longaray A. A., & Beuren, I. M. (2009). Caracterização da pesquisa em contabilidade. In I. M. Ilse (Org.). Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade. 3a ed. São Paulo: Atlas.

López, M. V., Garcia, A., & Rodriguez, L. (2007) Sustainable development and corporate performance: a study based on the Dow Jones Sustainability Index. Journal of Business Ethics, 75, 285-300.

Luenberger, D. G. (1998). Investment science. New York: Oxford University Press.

Machado, M. R., Machado, M. A. V., & Corrar, L. J. (2009). Desempenho do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo. Revista Universo Contábil, 2 (5), 24-38.

Mattarozzi, V., & Trunkl, C. (2008). Sustentabilidade no setor financeiro: gerando valor e novos negócios. São Paulo: Senac.

Merton, R. C. (1974). On the pricing of corporate debt: the risk structure of interest rates. The Journal of Finance, 2 (29), 449-470.

Milani, A. M. M. (2010). Influência das práticas de sustentabilidade no risco de crédito corporativo. Dissertação de Mestrado, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, S.P., Brasil.

Milani, M. A. F. Filho. (2009). Eficiência produtiva no terceiro setor: um estudo comparativo de desempenho entre organizações filantrópicas asilares (Tese de Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo.

Nunes, J. G., Teixeira, A. J. C., Nossa, V., & Galdi, F. C. (2009). Análise das variáveis que influenciam a adesão das empresas ao índice Bovespa de sustentabilidade empresarial. In Anais do XXXIII EnANPAD. São Paulo.

Perera, L. C. J., Milani, A. M. M., Kerr, R. B., & Milani, M. A. F. Filho. (2012). Sustainability: incorporating social and environmental variables in the analysis of credit. Procedings of BALAS Annual Conference. Rio de Janeiro.

Robinson, M., Kleffner, A., & Bertels, S. (2011). Signaling sustainability leadership: empirical evidence of the value of DJSI membership. Journal of business ethics, 101, 493-505.

Rocha, A. L. da. (2007). Perfil das empresas que compõem o ISE e visão panorâmica dos reflexos da adesão ao índice: um estudo multicaso (Monografia). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

Rossi, J. L. Jr. (2009). What is the value of corporate social responsibility? An answer from the Brazilian sustainability index.

Disponível em: http://ssrn.com/abstract =1338114. Acesso em: 10 nov. 2011.

S&P DJI, S&P Dow Jones Indices. MCGRAW HILL Financial (2014).

Disponível em: http://www.spindices.com. Acesso em: 23 mar. 2014.

Sachs, I. (2004). Rumo à ecossocioeconomia. São Paulo: Cortez.

Teixeira, E. A., Nossa, V., & Funchal, B. (2011). O Índice Empresarial de Sustentabilidade (ISE) e os impactos no endividamento e na percepção de risco. Revista Contabilidade & Finanças, 55 (22), 29-44.

Weber, O., Scholz, R. W., & Michalik, G. (2010). Incorporating sustainability criteria into credit risk management. Business strategy and the environment, 1 (19), 39-50.

Zago, A. P. P. (2007). Sustentabilidade corporativa: o caso Dow Jones Sustainability Index (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia.


Texto completo: PDF



Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .

Rev. Gest. Ambient. Sustentabilidade, São Paulo, SP, Brasil. e-ISSN: 2316-9834

Rua Vergueiro, 235/249 - Liberdade, São Paulo - SP (Brasil), Cep: 01504-000