Analisando a Eficiência dos Investimentos em Educação, Saúde e Urbanismo no Semiárido do Estado do Rio Grande do Norte

Lauro César Nogueira, Gabriel Ferreira da Silva, Bianca Alencar Vieira, Adriano David Monteiro de Barros

Resumo


Esse estudo tem como principal problema investigar o grau de eficiência e qualidade nos gastos públicos em educação, saúde e urbanismo dos 59 municípios do Semiárido do Estado do Rio Grande do Norte e elencar possíveis caminhos na resolução do problema. Para tanto, adotou-se a metodologia de Análise Envoltória de Dados [DEA]. Os principais resultados informam um preocupante grau de ineficiência na gestão dos recursos públicos. Especificamente, apurou-se que em média 70% dos recursos destinados às respectivas áreas são desperdiçados. Além disso, verifica-se que aproximadamente nove em cada dez municípios aplicam inadequadamente recursos em educação, saúde e urbanismo. Adicionalmente, verifica-se que apenas 10% dos municípios, isto é, seis deles foram considerados eficientes na gestão desses recursos. Os cinco piores resultados observados ocorreram respectivamente em Rafael Godeiro, João Dias, Porto do Mangue, Taboleiro Grande e Viçosa. Onde o nível médio de ineficiência produtiva ficou em torno de 67%. Outro importante achado mostra que 25,42% dos municípios analisados desperdiçam no mínimo metade dos seus recursos. Destes, somente 1/5 tem população acima de 10.000 habitantes. Por outro lado, 73,33% dos municípios analisados que desperdiçam na melhor das hipóteses metade dos recursos destinados as mencionadas áreas possuem população inferior a 4.000 habitantes. Essa caracterização traz fortes evidências de que nessas localidades trabalha-se com rendimentos crescentes de escala. Ou seja, operam seus serviços abaixo da capacidade ótima de produção.  Uma possível solução para o problema poderia ser a oferta conjunta de serviços de educação, saúde e urbanismo.

 


Palavras-chave


Gastos Públicos, Eficiência, DEA.

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